sábado, 13 de outubro de 2012

- CAFÉ LITERÁRIO da E.E. Santo Antônio de Silveirânia – MG

     


     
Numa certa tarde bateu à minha porta um aluno do Grupo Escolar de Silveirânia, no dia seguinte duas alunas também me convidaram para participar do evento. Doei o meu livro de poemas PEDAÇOS DE UM INSTANTE para o Grupo. Compareci, tendo chegando um pouco atrasado porque só recebi o convite faltando uma hora para o início dos trabalhos, mas valeu à pena porque minha alma não é pequena, parafraseando Fernando Pessoa. Tudo isso na noite de 03 de outubro de 2012.


      O projeto deste ano foi sobre: VALORIZANDO OS ESCRITORES DA NOSSA TERRA. O café literário foi especialmente planejado pelas professoras da Língua Portuguesa Lenice Alves Moreira, Mara Marques e a professora de Artes Cleide Maria Lamas. Contou também com a colaboração de todos os professores, estudantes, servidores, equipe pedagógica e, em especial, do diretor da Escola Estadual Santo Antônio, Manoel Teixeira Alves, que abraçou o projeto. Essa primeira versão contou com uma exposição de contos, crônicas e poesias dos escritores convidados. Notei também a presença da ex-diretora Maria Léia Lamas e, de Rio Pomba representando seu falecido avô, o escritor Poeta Péricles de Queiroz que deu nome a Biblioteca Municipal de Rio Pomba - a aluna Darcília Lopes de Queiroz e Antônio Fábio. Do município de Silveirânia compareceram representando o escritor Ricardo Nacif Najim, a coordenadora do CRAS Marilda de Fátima Lamas; representando a escritora Valéria Áureo, a professora da Língua Portuguesa Margareth Áureo: os poetas José Lucas de Oliveira, o Totó Fernandes dos meus tempos, Róbson Felipe Alves, José Dias dos Reis e as poetisas Júlia Mota e Lilian Soares que trabalha aqui na AF de Rio Pomba bem pertinho da minha casa.

      Esse projeto cultural foi sensacional, inovador e me possibilitou curtir novamente esta terrinha abençoada por Deus. Penso que ele pode ter tema distinto a cada ano. Os estudantes se revelaram muito animados, descontraídos o que fez o clima bem gostoso à semelhança dos quitutes preparados por eles. Hummmm!!! Aí me perguntei já em prosa: existe coisa mais gostosa? Ainda me perguntei: café e literatura combinam? Um café descendo quente pelo bule reluzente/ Combinam? Se for para incentivo à leitura num ambiente descontraído combinam sim, claro. A informação é algo que deve ser acrescida de reflexão e a notícia precisa fazer a diferença na vida das pessoas. Somos todos aprendizes. O café posto todos os dias na mesa do brasileiro é a bebida mais consumida do mundo. Tem gosto de prazer, de família e de cafuné. A leitura também é simples e pode transformar nossos dias.

      Os cliques digitais estavam a todo vapor quando me foi dada a palavra depois de outros cinco já terem feito uso dela. Pediram que a gente se limitasse a falar 15 minutos. Agradeci o convite e me apresentei. Disse das minhas ligações com a cidade quando jogava bola com o saudoso Wanderlei Arantes, com o Merico, com o Fabinho e outros. Informei que já havia morado na Fazenda São Manoel que foi do meu avô Tunico Homem, do tempo do saci-pererê e da mula sem cabeça. Nessa época eu era a assombração conforme consta do meu livro CRÔNICO & CAUSOS também doado para a escola. Por isso, até hoje, dizem que a fazenda é assombrada. Expliquei que trabalhei no Posto Avançado do Banco do Brasil em Silveirânia com muita honra. Apresentei meus três livros editados, falei dos outros que estão no meu blog afabiobrasil.blogspot.com. Convidei a todos para o lançamento do meu novo livro no dia 03.11.2012 em Rio Pomba. Declamei a poesia de minha autoria do meu livro de poemas PEDAÇOS DE UM INSTANTE, pág. 76: “NOSSA ESCOLHA”. ... Bonito é nunca deixar de acreditar de que se é capaz / Bonito é acreditar que todo sonho pode se realizar... Achei que esse poema era apropriado para os alunos da escola. Falei das dificuldades para se fazer obras iguais, que a tarefa era árdua, mas não impossível. Era fascinante! Aí, o ponto alto: falei a todos sobre o CAUSO DO CACHORRO da pág. 292/293 do meu novo livro. Foi quando saí da roça para buscar uma motosserra na cidade e um cachorro meu mordeu e eu tive que meter o dente nele também. Era minha única arma no momento. Posteriormente fui ao hospital para dar pontos na perna e outros procedimentos. Contei o caso, no início já começaram rir um pouco e no final se esbaldaram de rir.

      Após o encerramento, passamos para os comes e bebes e para e o conversê. Fernandina, minha esposa e musa inspiradora e eu, fomos tratados como da realeza. Conversei com as professoras de lá e até pensei que eles devam ter feito concurso de beleza para admiti-las. Não era necessário importar nossas “GIZELAS” de Rio Pomba: Rachel filha dos meus compadres Marlene e do Betinho, a Ita que cantava comigo no Coral de Rio Pomba e era uma Soprano de lindíssima voz e da Wotaíza de beleza e morenice ímpar. Eles já tinham suas pérolas fashion, chiquérrimas, charmosas e talentosas de rara beleza, mas essa atitude veio a somar virtudes. Todas nos vestiram de emoções. Estão escrevendo o futuro mesclando o prazer da leitura e escrita com o aroma verde e amarelo.

      Para mim, foi uma honra ter sido convidado a participar da importância deste grandioso projeto que tanto nos ensinou. Espero desfrutar novamente desses momentos mágicos nessa escola pública que é referência nas Nossas Gerais.

      Estou na expectativa de que, sinceramente, até mesmo essa minha crônica e esse protótipo de logotipo sugerido para o evento, sejam úteis e do agrado de todos.

                               Muito obrigado e

                               Meu abraço poemático.
“Até a criança se dará a conhecer pelas suas ações, se a sua obra for pura e reta.”

(Provérbios: 20:11)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Allgumas dicas fotográficas nos trilhos da aventura





    















Com estas minhas publicações pretendo partilhar alguma da minha experiência, fazendo chegar aos meus amigos do BLOG o espírito da aventura neste estilo de fotografia, contemplado com matérias essenciais para o fotógrafo que pretende aventurar-se nas alturas. Num formato de relato de viagens escadarias acima por 11 andares do novo prédio do CENTRO COMERCIAL JORGE DO MARINO em Rio Pomba - MG. Estou postando algumas dicas fotográficas nos trilhos da aventura. O espírito comunitário que é nato, manifesta-se no desejo de cada membro individual apoiar nossa Rio Pomba, pelas ideias, pelas fotos que falam muito alto, pelo exemplo e pela escrita. Um instante único vislumbrando minha casa das alturas sô!

      Para se fazer uma boa foto é necessário ter determinação, foco, otimismo e paixão e continua sendo o meu hobbie.
      É o sonho de qualquer pessoa ter o trabalho reconhecido, independente de qual seja o trabalho. Isso nos motiva. Eu sempre busquei fazer o melhor que podia em todas as áreas que trabalhei e vai ser sempre assim. Sou feliz por me realizar a meu modo, lógico. Agora, quando proporciono a realização de outro, sou mais feliz ainda. Meus amigos são mais importantes do que tudo o mais.om estas minhas publicações pretendo partilhar alguma da minha experiência, fazendo chegar aos meus amigos do BLOG o espírito da aventura neste estilo de fotografia, contemplado com matérias essenciais para o fotógrafo que pretende aventurar-se nas alturas. Num formato de relato de viagens escadarias acima por 11 andares do novo prédio do CENTRO COMERCIAL JORGE DO MARINO em Rio Pomba - MG. Estou postando algumas dicas fotográficas nos trilhos da aventura. O espírito comunitário que é nato, manifesta-se no desejo de cada membro individual apoiar nossa Rio Pomba, pelas ideias, pelas fotos que falam muito alto, pelo exemplo e pela escrita. Um instante único vislumbrando minha casa das alturas sô!

domingo, 7 de outubro de 2012

- A imagem avistada do 11º andar do Centro Comercial Jorge do Marino

‎07.10.2012 – Afábio no dia das eleições municipais.


A imagem avistada do 11º andar do Centro Comercial Jorge do Marino pode se tornar um visita obrigatória como um dos nossos pontos turísticos. Sou de opinião que devemos recuperar o espírito comunitário, que consiste em tomar decisões conjuntamente, combinando os nossos interesses, agindo com solidariedade.

A vista e a sensação são indescritíveis. A visão geral de tudo aquilo que vemos do chão é muito diferente lá de cima. Se você tiver uma oportunidade de uma experiência assim não deve perder. Devemos olhar o lado bom das coisas e vamos enxergar melhor Rio Pomba e seus encantos. Do alto sua grandiosidade fica mais evidente. Estou tentando compartilhar com você tudo isso. Resolvi cortar a foto, passar para tons de cinza O Phostoschop comeu solto. Espero que seja do seu agrado.  

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CONSERVATÓRIA CANCIONÁTICA & POEMÁTICA

GRUPO DE EXCURSIONISTAS AMIGOS EM 21 & 22 /SET/2012


                                                                           Antônio Fábio – 24.09.2012



      Por que fomos lá? Porque nosso orgonizador de excursões, o competente amigo de peso, que sempre nos une a todos o Zé Roberto, nos proporcionou mais essa oportunidade dos amigos excursionistas se reunirem novamente e fazerem novos amigos. O ônibus que saiu de Ubá passou por por Rio Pomba com 1 hora de atraso em razão de ter quebrado e ter que ser substituído por outro micro-ônibus. Nós nos apresentamos, distribuimos balas de café e pé na estrada.

      Conservatória fica a mais ou menos 260 km de Ubá, 235 de Rio Pomba, l20 do Rio de Janeiro, 30 km de Barra do Piraí e a 33 km de Valença, cidade da qual é distrito. Suas características bucólicas de arraial, pacata e tranquila, cujos moradores de fala branda, afáveis e educados preservam seus costumes o que torna esse pequeno vilarejo um pólo de atração turística. As placas de suas casas têm nome de uma melodia, seu copositor e cantor.
      A cidade respira música e poesia. A população é de aproximadamente 4.500 habitantes e sua altitude 535 metros acima do nível do mar (Ubá 200/Rio Pomba 410), clima ameno e agradável e um pouquinho frio no inverno. Sua economia é a agricultura e o turismo.
      Dois casais ficaram na Pousada “Meu Cantinho” e o restante no Hotel Conservatória porque é mais simples, no centro e o preço convidativo. Colchas de retalho, bonecos de papel jornal, doces caseiros, cachaças, produtos da roça, delicatessem, crochê e tear e objetos do artesanato, em cada esquina. Muitos visitaram a igreja de Sto. Antônio (Séc. XVIII) o Museu das Serestas, que tem o maior acervo de músicas de serestas do país e um dos maiores do mundo, o Museu Vicente Celestino e Gilda de Abreu (fotos, discos e objetos pessoais do cantor e ator Vicente Celestino e de sua esposa, a cantora lírica, cineasta e escritora Gilda de Abreu), o Museu Sílvio Caldas, Gilberto Alves, Nélson Gonçalves e Guilhermina de Brito (fotos, discos e objetos pessoais). Visitamos também o Casario Colonial que fica na Antiga Estação Ferroviária onde Fernandina e eu fizemos algumas fotos de época. A visita ao Túnel Maria Nossar (Túnel que chora - na boca do túnel cai água) do Século XIX feito pelos escravos que fica na saída para Barra do Piraí não visitamos porque o pessoal estava doido para chegar ao destino. Um dó, perderam mais uma forma de conhecimento. Durante o dia poderíamos fazer um passeio de charrete e visitar diversos hotéis fazenda. Outro ponto procurado por turistas e frequentado por moradores é o balneário municipal João Raposo, antes da estrada que leva a Valença, conhecido como Cachoeira da Índia por ter no meio do lago formado pela cachoeira uma escultura em bronze, que evoca uma mistura de índia com sereia. Falei disso com quem estava no ônibus comigo na frente. Conservatória é conhecida também pela observação de OVNIs na Serra da Beleza (ponto de ufologia -12 km) e pelos diversos filmes rodados nas suas terras como se poderia observar pelas fotos no café da manhã do hotel.
      A serenata, a música cantada sob o sereno, é um ritual que acontece há 134 anos, começa às 8 horas da noite com o encontro dos músicos no museu dedicado ao tema, para afinar violões e definir o repertório. Por volta das 23 horas, sai em passeata pelo centro com moradores e turistas entoando canções de amor e recitando poemas. Normalmente 180 pessoas entre uns 15 violeiros e participantes. É um compartilhamento admirável que parece ensaiado. A serenata dura até meia-noite e pouco e só não acontece se chover. A Solarata é a tocata que acontece na rua do meio nas manhãs de domingo e todos cantam juntos até na hora do almoço. Todo quarto domingo do mês, tem missa dos seresteiros a partir das 9h na Igreja de Sto. Antonio. No mágico vilarejo de Conservatória, há única réplica de que se tem conhecimento no universo das atrações cinematográficas do extinto Cine Metro Tijuca, que reinou majestosamente na Praça Sans Peña do qual tivemos o prazer de conhecer pessoalmente na nossa lua de mel. Não deixe de visitar. Existem também as serestas (canto em espaços fechados) realizados em diferentes hotéis e pousadas. No meu hotel houve, no sábado um SARAU (evento cultural e/ou musical) de 5 às 7 da noite com a cantora Juliana Maia e uma outra lírica que não me lembro do nome. Ambas nos encantaram. Zé Roberto se fez ouvir no poema “Deusa Barroca” de nossa autoria” que foi premiado no Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes. Comprei CDs da Juliana. Uma beleza!
      Os turistas são atraídos pela atmosfera romântico-musical das diferentes apresentações, hospedando-se nos hotéis e pousadas para poderem acompanhá-las. Geram, dessa forma, um importante fluxo de renda e consequente emprego de mão-de-obra local.
      Música e grandes paixões sempre estiveram de mãos dadas em Conservatória e geraram muitas histórias de amor / São pessoas vindas de recantos do país e até do exterior.
      Nesses dias aconteceu o XIV Festival de CHORINHO em uma tenda montada na praça do centro com mais de 3.000 pessoas atraídas pela competência e a fama, de nada mais nada menos, RONALDINHO do cavaco (discípulo de Waldir Azevedo) que nos brindou com uma apresentação de gala. Nós nos encantamos também com aquele que toca indiferentemento com as duas mãos, o DEON o Rei dos instrumentos de corda que nós já conhecíamos. Deon apresentou um Potpourri executando várias músicas populares tocadas uma após a outra com admirável maestria. A última foi o tema de Ayrton Senna que levou o público ao delírio. Ambos são fora de série, admiráveis!
      Nas noites da sexta e do sábado demos um show à parte na TABERNA (Restaurante) e no Dó-Ré-Mi – onde degustamos bacalhoada e música com beijos de cerveja e dançamos e nos encatamos com a simpatia, a beleza, o charme e o talento da voz de uma louraça de fechar o trânsito. Estamos falando da MÔNICA BARLETA que já é conhecida naquelas plagas. Sônia Barros, aquela de uma morenice encantadora, lider nata, também foi muito admirada pelo seu lindo traseiro, seu popô. O casal Maria Célia e Sérgio/ ela com um assobio magistral, ele que conhecia todos meus familiares do bairro Caxangá em Ubá, ambos com simpatia sem igual. O Daniel com todo o seu glamour e facínio nos encantou com o samba nos pés e seus cliques digitais. Não adiantou despistar. Estávamos de olho, sô! Inês com que desfilei de mãos dados em Parati ainda me estende as mãos, Moema uma charmosa pé-de-valsa, Dr. Ary - nossos Santos se harmonizaram, Loló e Niltinho, Dulce e Márcio, Guilhermina e Dr. Renato, Ana Lúcia e Dr. João, Maria Alice e Emílio, Ana e Vaguinho, Maria Eva e Assis, Lícia, Dodora, Demóstenis, João Bosco, Clélio, Camila, Galvão, Evandro e Dr. Roberto. Todos nos vestiram de sorrisos cativantes, graciosidades, risadas para descontrair, sensualidades, corações abertos, simpatias contagiantes, simplicidades / E / aquela de maior glamour e de nata elegância / de beleza extasiante / de pesonalidade envolvente / minha musa inspiradora e amada amante FERNANDINA / esta a me apoiar naquelas palaaaavras...
      Conhecer lugares amplia para o bem nossa maneira de enxergar e compreender o mundo e as pessoas. Para isso é necessário captar a essência dos lugares. Viajar enriquece o espírito, aprimora a cultura e acentuam a educação. Devemos procurar viajar com arte, olhando para o destino com a vista desembaçada e com a mente aberta.

Quantas coisas eu vi / O céu que hoje é azul / Quando eu conheci / Era preto e branco.../ Para se ir à Conservatória os quilômetros eram mais longos.../ Engraçado, encolheram... / O que antes eram 400, hoje são 260 ou um pouco mais / O que antes era lá, agora é ali Fui pra lá.../ Até não muito longe... / E vi o horizonte e os barrancos nos chegando de tantas eram as curvas do caminho / O horizonte encurvava.../ Enchi muito álbum de saudade.../ E o que não foi impresso nos retratos / Ficou impresso na alma /

"Em cada Casa uma Canção, em cada Canção uma Saudade"


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

- ZÉ BUDEGA, O CRAQUE

                                            Crônica de 27.05.2012 de Antônio Fábio Publicada às páginas 145 e 146 do meu livro ANTOLOGIA EM PROSA & VERSO

                                             ZÉ BUDEGA, O CRAQUE


Palavras que voltam à mente trazidas pelos ventos da saudade / E / Que ecoam em nossos corações/ De repente um perfume no ar / Que entra na alma e faz sonhar.


      O Pombense goleava o Itararé de Tocantins, o Aimoré de Ubá, o XV de Novembro de Rio Novo, mesmo no campo de adversário, graças ao Zé Budega. No seu reduto da rua Luíza Alvim tudo era mais fácil. Tínhamos uma charanga sob a batuta do Genário e seu piston, sempre fazendo a festa com mais de 2.000 torcedores. A tarefa era facilitada porque seus companheiros também eram bons de bola: os goleiros Cici, Rivas ou Genito (Mercês) - os laterais, Schubert, Quinzinho, Papagaio ou Delcinho - os zagueiros: Divino, Genário e Jalmeno de Silveirânia - os laterais: Tinho Vaz ou Duquinha (irmão do goleiro Cici) - os meio-campistas Geraldo Cunha (chute certeiro e exímio cobrador de faltas), Merico (grande distribuidor de jogadas) ou Zé do Pedrinho - dos atletas da linha de frente Jackson, Toninho do Dr. Zé Reis, do Pinto do Sô Lino e o Filizzola na torcida dizendo: fecha o portão, vamos dar um coro nessa turma.
      Era da época do Paulo Furtado e do Luizinho Furtado, do União de Silveirânia que apoiavam esse Pombense de tantas glórias. Época em que a gente sabia que a alegria do triunfo jamais poderia ser experimentada se não existisse a luta, que é a que determina a oportunidade de vencer.
      O Zé Budega era veloz e audaz, tinha ginga e habilidade, era um jogador de toques rápidos e envolventes, sabia fazer gools de calcanhar, de bicicleta, de letra e era um exímio cabeceador. Não era alto, mas tinha muita impulsão. Sempre o via encher o pé de qualquer distância, com qualquer uma das pernas indiferentemente, para estufar as redes. Imprevisível e surpreendente, mais criativo do que a criatividade e, futebolisticamente, mais sábio do que a sabedoria. Um jovem de rara limpidez, além de uma técnica apurada. Sempre antes que a bola lhe chegasse, numa fração de segundos, já calculava sua trajetória e velocidade, a posição dos companheiros e adversários. Parecia que ele tinha um computador no cérebro e outro olho na nuca.
      Zé Budega desfilou todos esses talentos no Pombense e no América de Rio Pomba, no Tupi de Juiz de Fora e no América do Rio que na época era um grande time. Foi um dó ele ter largado tudo no Rio de Janeiro por causa do seu amor rio-pombense: a minha irmã Marlene a quem fez muito feliz. No Rio em 1955, estava sobre o comando de Gyula Mandi, técnico polonês, da seleção da Hungria que havia feito o maior sucesso na copa de 54 que o considerou uma grande promessa. Foi reconhecido como craque pela REVISTA MANCHETE ESPORTIVA. Poderia ter até servido à Seleção Brasileira se não tivesse um temperamento compulsivo.
      Foi um grande pescador e também aquele que sempre se aventurava nas águas turvas dos rios à procura de pessoas desaparecidas. De temperamento brigão, estopim curto e que não levava desaforo pra casa, mas de coração puro que até tirava sua camisa pra cobrir o outro. Era um doador de sangue assíduo do hospital.
      Estou a dizer tudo isso em busca da verdade, já que é um fato reconhecido por todos os futebolistas da região e de todos que o conheceram de perto. Digo isso com imparcialidade, com emoções novas e uma contemplação crítica.

Fica esse fato de título de craque como de uma firma registrada em Cartório e que nunca estaria com o prazo de validade vencido.

domingo, 9 de setembro de 2012

- Voltando a ser criança

                        VOLTANDO A SER CRIANÇA
                                                      Rio Pomba - 07/SETEMBRO/2012



      Fernandina e eu fomos convidados a marchar no 7 de setembro, como ex alunos do Grupo Escolar São José. Na concentração na Cel. Antônio Pedro disse pra turma: 93 anos não é fácil não. Alguns me olharam de soslaio e disseram: olhe nem parece, tem os dentes todos. Expliquei: quem tem 93 anos é minha sogra. Eu ainda falto vinte para chegar lá. Risos e mais risos. Começou a marcha: um, dois, acertem o passo crianças. Na minha cabeça as lembranças daqueles tempos idos. Embora utópico, estávamos todos voltando ao tempo melhor de nossas vidas. Agora para reaprender e conhecer melhor o mundo, colorindo-o de sonhos, vivendo o presente de forma livre, onde os adultos não conseguem viver porque é preciso ter pureza, inocência e humildade no cumprimento do seu dever. Estava naquele “um dois” como apresentando um pedido de demissão da categoria de adulto. Comecei a pensar como se tivesse meus oito anos, a acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas e que tudo é possível. Fazer amigos sem saber os seus nomes / com efeito / por desconhecer o que é preconceito.
      Não queria nem me lembrar de computadores que falham, de notícias ruins dizendo adeus a pessoas queridas, de contas a pagar... de fofocas. Uns, dois, acertem o passo sussurrava com os da frente. Pensava: chegando à praça vou jogar pedrinhas na água, comer moedas de chocolate, caju, manga Palmer e jabuticaba, além de mastigar chicletes e picolés, afinal sou criança novamente. Se tiver chance vou jogar bola de gude, jogar pião e brincar de garrafão e uma peladinha na Odilon Braga. É mole? Feliz estou agora somente em recordar. Jamais me esqueci dos amigos que deixei. Estou vendo nessas pequenas recordações um motivo a mais para sorrir.
      Vivemos uma realidade tão dura que, às vezes, queremos voltar à infância, à época de fantasias, sem preocupações com decepções e pressões de qualquer ordem. Jesus disse que precisávamos nos tornar crianças para herdar o Reino dos céus... Viva este momento, que não morra o espírito de criança que está em mim agora. Criança é também aquele adulto que nunca esqueceu da criança que foi um dia. Um, dois, acertem o passo! Estou de mãos dadas com a vida, pois minhas intenções são as melhores. Não tenho rancor sô! Passo vai, passo vem e eu pensando: tenho um pouco de criança dentro de mim agora e a minha missão é chegar à praça Dr. Ultimo de Carvalho são e salvo.
      Todo ser humano tem um pouco de criança dentro de si e até o poeta deve conservar a criança que pulsa no seu interior através de gestos e belas atitudes acreditando em seu coração que o futuro além de promessa é uma missão a realizar. Voltar a ter muita liberdade que faz a criança querer voar, conquistando tudo a sua volta, brincar na chuva, subir nas árvores, fazer traquinagem durante todo o dia / tudo parecendo engraçadinho / e a noite já bem cansado / dormir como um anjinho!
      Batendo o bumbo e nós crianças marchando. Perna direita, perna esquerda. A bateria e as recordações nos ajudavam. Olhe a cadência, observa a distância, olhe a cobertura, acerte o passo, mãos espalmadas mantendo a postura. Chegamos. Que alívio!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

- Não vote em mim - 20/AGO/2012




Esta crônica foi publicada às paginas 103/104 do meu livro
ANTOLOGIA EM PROSA & VERSO
        





           Esta é uma crônica sem qualquer cunho partidário e/ou religioso. Você pode acreditar até em ET, mas não deve acreditar em mim e nem no horário político da TV Capim Gordura. Meu partido político é o “RP”, Rio Pomba. Meu compromisso é com a verdade, meus ideais e comprometimentos.

              Você, realmente, não 
deve votar em mim, primeiro porque não sou candidato, se bem que, mesmo nunca tendo sido candidato, tive 18 votos em uma eleição apurada no Clube dos Trinta. Naquela época era cédula, não era urna eletrônica. E – também – não concordo com esse mau exemplo de legislar em causa própria dado pelo Tribunal Regional do Trabalho de Brasília quando dobrou seus próprios salários (222%). Fizeram-me lembrar dos deputados mineiros há tempos (64 mil). Não vote em mim, porque você estaria correndo o risco de ver um cara obrigando a todos a devolver o valor de repasses e todos os bens adquiridos de forma ilícita, confiscados. Não vote em mim, porque eu poderia até apresentar uma lei em que o percentual dos aumentos dos eleitos não pudesse exceder aos concedidos aos brasileiros da classe média (bancários, professores etc.). Não vote em mim, pois não concordo com a corrupção, a falta de ética, o empreguismo, a ideia de “levar vantagem em tudo”. Não vote em mim, porque, entre outras coisas, devo ser mesmo um chato porque estou sempre a apresentar soluções para os problemas que atingem o rio-pombense, principalmente.
      Não vote em mim, porque penso que o estupro é o mais hediondo dos crimes, depois da tortura. Deveria ser como a tortura, um crime inafiançável, até porque se parecem e se confundem.
Não vote em mim, porque eu até penso que deve haver, escondida nos subterrâneos do Congresso, uma escola de malandragens, golpes, perfídias e corrupção. Não é possível que tantos congressistas já nasçam com tanto conhecimento acumulado. São Valérios, Malufes, Jéfersons, Genuínos e Severinos e muitos renunciando para não serem caçados e ainda recebendo aposentadorias. Grana sumindo das federais. Escândalos e mais escândalos / Falcatruas!/ Armações e até mensalões/ Prendam todos esses ladrões. Não vote em mim, porque eu iria até rezar para que muitos deputados tivessem febre aftosa, peste suína, ou gripe das aves, tudo para que tivéssemos que sacrificar todo o rebanho contaminado.
      Não vote em mim, porque não vou permitir a devastação da Amazônia, pulmão da humanidade, a agressão suicida ao meio ambiente, a poluição dos rios e das fontes de água potável e a transformação de áreas imensas do tamanho de países europeus em desertos. Não vote em mim, pois vou determinar que as forças armadas entrem nessa guerra. Elas não foram criadas para a guerra? Pois bem. Essa é, também, uma das nossas guerras, além do crime organizado.
      Não volte em mim, porque gosto de espelhar-me em pessoas e políticos de bem e de bom caráter nas suas características nobres, como ética e coragem e que tentam resolver os problemas da pobreza e da injustiça. Olhe como é perigoso votar em mim: posso até me revelar um sentinela que luta pela liberdade e direitos dos cidadãos e os meus objetivos devem se renovar conforme as transformações sociais de cada época. Penso que, sendo cristão, tenho o dever de me esforçar sempre para alcançar novas conquistas, me esforçar sempre para mudar tudo para melhorar nosso amanhã, pensando que Cristo nasceu, morreu e vive para sempre entre nós.
      Não vote em mim, pois posso incomodar muita gente pensando igual a Martin Luther King: “O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons”.


É como disse Niemeyer nos seus 103 anos de idade: “Brasília nunca deveria ter sido projetada em forma de avião e sim em forma de Camburão”.



      Não quero desesperança, não vote em mim.



                         Um abraço

             Antônio Fábio da Costa
Membro correspondente da AULE – Academia Ubaense de Letras
afabio1@hotmail.com – afabiobrasil.blogspot.com